A ANVISA proíbe as câmaras de bronzeamento. O que fazer?
Desde 1992, os raios solares ultravioletas (A, B e C), do mesmo modo que os UVA artificiais de lâmpadas de bronzeamento, são classificados como "supostamente cancerígenos", ou seja, nível 2 de perigo da IARC - International Agency for Research on Câncer (instituição vinculada à Organização Mundial da Saúde – OMS). De acordo com os novos estudos divulgados pelo IARC em julho de 2009, nos quais se considerou que a exposição aos raios ultravioletas possui evidências suficientes para considerá-la carcinogênica para humanos, essa radiação passou a ser de nível 1. Na prática, as cabines passam a representar uma causa concreta de tumor de pele, a mesma relação entre o cigarro e o câncer, por exemplo.
Diante de tais declarações, a ANVISA, que já ditava normas para adequada utilização das cabines de bronzeamento desde 2002, lança a Resolução RDC-56/09 em 09 de novembro de 2009, que proíbe o uso de equipamentos para bronzeamento artificial com finalidade estética, baseados na emissão da radiação ultravioleta (UV). Tal proibição não é extensiva aos equipamentos que emitem radiação ultravioleta com finalidade terapêutica.
Esse seria o outro lado da moeda da radiação UV, seu uso no tratamento de doenças cutâneas como vitiligo e psoríase, entre outras, que é conhecido desde o antigo Egito. Resumidamente, a fototerapia, tanto UVA como UVB de banda estreita, ajuda no controle das células inflamatórias e na indução da repigmentação. Também quando utilizada com objetivos terapêuticos apresenta os mesmos riscos de efeitos adversos por sua capacidade de acelerar o envelhecimento da pele e pelo potencial dano ao DNA das células, que leva a indução do câncer cutâneo. Por isso são tratamentos realizados sob supervisão médica e por período de tempo determinado. Nestes casos, os riscos do tratamento com a radiação ultravioleta são contrabalançados aos benefícios obtidos com o controle das dermatoses, diferentemente do seu uso estético, onde só existem os famigerados riscos. Na realidade prática, é pagar para envelhecer.
Será que existe alguma forma de bronzeamento artificial que não traga prejuízos à pele? Sim! Os autobronzeadores, disponíveis em várias apresentações e que também podem ser aplicados em clínicas sob a forma de jato. O efeito de bronzeado é possível graças à ação da diidroxiacetona (DHA), uma molécula parecida com o açúcar que reage com a queratina e dá à pele uma pigmentação marrom. Atentem para o fato de que não é preciso exposição solar para alcançar os resultados. A duração da tonalidade é de até 4 dias para a maioria das apresentações e pode perdurar até 10 dias na forma de jato. Para não tingir as palmas das mãos, aconselha-se aplicar o produto na pele seca e de maneira uniforme com luvas de silicone. Passe uma camada mais leve em áreas ásperas como cotovelos, joelhos, pés e tornozelos, onde há maior concentração de queratina. Para evitar surpresas como odor desagradável, pele manchada ou alaranjada, é bom ater-se às marcas conhecidas e tradicionais de cosméticos.
Artigo enviado pela Dra. Adriana C Corrêa, MD, PhD (1° de Abril de 2010)
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