Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional Rio de Janeiro - Dicas de Saúde

Cuidados com a pele na gestação e no pós-parto

A gravidez é o período da vida das mulheres em que ocorrem diversas mudanças imunológicas, endócrinas, metabólicas e vasculares, que as tornam mais propícias a diversas alterações cutâneas. Isso gera grande ansiedade para a futura mãe, principalmente nas dúvidas de caráter estético e a possibilidade do não desaparecimento dessas lesões após a gestação.

Diante de qualquer alteração cutânea, a gestante deve, em primeiro lugar, procurar seu obstetra, que a orientará a possíveis exames ou então a encaminhará a um dermatologista para um parecer quanto ao caso.

A mulher grávida necessita de cuidados especiais com a pele para evitar ou, pelo menos, amenizar distúrbios da pigmentação tão comuns em quase 90% dos casos que decorrem de alterações hormonais nesse período. Nota-se, mais comumente, um aumento da pigmentação em áreas como mamilos, aréolas mamárias, genitália externa e linha central do abdômen. Sem mencionar sinais, cicatrizes e sardas, que também se tornam mais escurecidos nesse período. Porém, com o término da gravidez, boa parte dessas alterações regridem espontaneamente.

Ao contrário dessas, o surgimento do melasma, pigmentação acastanhada das regiões centrais da face, mais comumente no segundo trimestre da gestação, causa grande preocupação na mulher. Esse acomete em torno de 50 a 70% das gestantes, podendo ter seu quadro iniciado ou agravado durante a gestação, nas gestantes suscetíveis a exposição aos raios solares. Os fotoprotetores para raios UVA e UVB, no mínimo fator 15, são os mais indicados e de grande auxílio tanto na prevenção quanto no tratamento dos melasmas já existentes. Devem ser aplicados 30 minutos antes da exposição solar, várias vezes ao dia, mesmo em ambientes fechados. Deve-se evitar exposição solar entre 10 e 16 horas, sendo fundamental o auxílio de óculos solar, barracas de praia e chapéus. Porém, se a gestante já possuir melasma, além dos cuidados com a fotoproteção, deve-se realizar a troca da medicação despigmentante a uma mais apropriada a esse período.

Acne é uma outra preocupação, surgindo em 25% das gestantes, principalmente no primeiro trimestre, devido à elevação dos níveis de progesterona. O tratamento requer atenção especial, pois muitas drogas não podem ser utilizadas. Cabe uma orientação adequada, pois apesar de muitas drogas serem de uso tópico, existe uma absorção cutânea expressiva, o que requer certa prudência na prescrição. O primeiro passo no combate a acne é uma boa orientação quanto a higienização cutânea, com produtos suaves que não ressequem a pele, seguido do uso de filtros solares e maquiagem que não estimulem a formação de cravos.

Uma das alterações mais temidas são as estrias, ocorrendo em 90% das gestantes, com mais freqüência no terceiro trimestre da gestação. Tem localização mais comum no abdômen, mamas, coxas, laterais dos quadris e nádegas, e dão seu alarme geralmente através de uma pele ressecada e com muita coceira. Inicialmente, mostram-se como bandas largas e vinhosas, muito aparentes. Após o parto, gradativamente tornam-se de cor perolada e menos perceptíveis. Como primeira medida preventiva é importante a manutenção do peso, segundo as recomendações obstétricas, para que não haja um aumento significativo e abrupto durante os diversos períodos gestatórios, em especial no último trimestre. Hoje é sabido que o somatório de alterações hormonais, junto ao aumento das partes do corpo da gestante, contribuem para o surgimento das estrias. É de fundamental importância a aplicação de hidratantes corporais para uso na gestação, que auxiliam na lubrificação da pele que sofre estiramento e tração. O uso de sabonetes corporais adequados a cada tipo de pele e temperatura de banho amena evitam um maior ressecamento cutâneo. Porém , uma vez constituídas após o parto, podemos iniciar o tratamento tão logo seja suspenso o período de amamentação. O tratamento na fase recente das estrias em que elas têm coloração avermelhada é mais fácil. É feito na grande maioria das vezes com o auxílio de peelings químicos à base de ácido retinóico, muitas vezes com o auxílio da microdermoabrasão. Já as estrias mais antigas de coloração perolada são mais difíceis de serem tratadas.

Finalmente, cabe lembrar que nesse período existe uma elevação no estrogênio circulante, levando a um aumento de cerca de 50% do sangue dentro dos vasos. Somando-se ao aumento da circunferência uterina, teremos o surgimento de alterações por congestão vascular, as ditas varizes e hemorróidas, bem como proliferação de vasos sanguíneos em face e colo e ainda uma vermelhidão das palmas das mãos. Recomenda-se a elevação dos membros inferiores, juntamente com o uso de meias elásticas. Os vasos que surgem são sem sintomas e desaparecem em até 3 meses após a gestação, não necessitando de tratamento na grande maioria das vezes.

Artigo enviado pela Dra. Robertha Nakamura(10 de Maio de 2007)

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