Dermatoscopia: uma importante arma para o diagnóstico do melanoma
O melanoma é um tipo de câncer que tem origem nas células chamadas melanócitos (células produtoras de melanina, substância que determina a cor da pele). Se diagnosticado em fase inicial, sua excisão promove a cura da doença. Porém, se diagnosticado em fase avançada, pode levar à morte por disseminação da doença. Ao exame clínico, são considerados suspeitos os sinais que apresentem as seguintes alterações:
A - Assimetria
B - Bordas irregulares
C - Cores variadas
D - Diâmetro maior que 6 mm
E - Elevação

Figura 1
Este “ABCDE clínico”, exemplificado na figura 1, é bastante antigo e nos ajudou durante muitos anos no diagnóstico do melanoma cutâneo. Porém, através dele, somente conseguimos diagnosticar 60% dos casos. Muitas vezes, quando a lesão apresenta essas características, o câncer já pode estar em uma fase avançada, com risco de metástases e morte. A necessidade do diagnóstico precoce deste tipo de câncer é fundamental e motivou a criação de uma técnica chamada dermatoscopia. Nos últimos anos, com a disseminaçao dessa técnica, obtivemos o aumento do número de casos de melanoma diagnosticados em fases iniciais, e isto se reflete na diminuiçao da taxa de mortalidade decorrente.
A dermatoscopia, nas mãos de dermatologistas treinados, é capaz de aumentar a acurácia diagnóstica podendo-se obter cerca de 90 % de acerto. Além de realizar o diagnóstico do melanoma em sua fase inicial, o que é fundamental para a cura, ainda evitamos a realização de excisões desnecessárias de lesões consideradas benignas. Através de características que classifiquem a lesão como benigna ou suspeita, podemos realizar a abordagem racional da mesma.

Figura 2 - exame clínico Figura 3 - exame dermatoscópico
Algumas lesões não apresentam nenhum grau de dificuldade diagnóstica devido as suas características clínicas (vide figura 1), porém, se diagnosticado nesta fase, apresenta grande risco de evoluir para doença avançada. A dermatoscopia nos auxilia a classificar corretamente também as lesões que são clinicamente inocentes (figura 2) e dermatoscopicamente suspeitas (figura 3), facilitando a identificação da doença em uma fase bastante inicial.
Existem vários tipos de aparelhos chamados dermatoscópios. Os portáteis mais modernos são equipados com luzes especiais como LED ou polarizada. O exame clínico dos sinais com uso de um dermatoscópio do tipo portátil é indicado para todos, já que algumas lesões examinadas a olho nú não são consideradas suspeitas. Porém, se examinadas com o dermatoscópio, podem demonstrar características que nos levam a indicar a sua excisão. No caso de pacientes com múltiplos sinais, algumas vezes necessitamos do uso de um dermatoscópio digital, que é um tipo de aparelho que permite o acompanhamento das lesões. Através de um software adequado, as imagens das lesões são arquivadas e, em uma nova consulta, através do confronto entre imagens antigas e atuais, podemos perceber as lesões que apresentaram alterações sugestivas de malignidade. O espaço de tempo entre as consultas com o dermatoscópio digital deve ser estabelecido pelo dermatologista que realiza o exame. Algumas vezes podemos detectar um melanoma inicial através de sutis alterações, o que é possível somente com a realização desse tipo de exame.
Pacientes com múltiplos sinais (ou nevos), presença de nevo congênito (sinal presente desde o nascimento ou com surgimento após alguns meses de vida), história de exposição solar intensa com episódios intermitentes de queimadura solar, história familiar ou pessoal positiva para melanoma, alterações genética ou do sistema imunológico, pele clara e olhos claros apresentam risco aumentado para desenvolvimento desta doença. Nesses casos, é indicado um exame semestral ou anual. A dermatoscopia é uma ferramenta útil nas mãos do dermatologista. É um exame prático, indolor e apresenta outras aplicações como o exame das unhas e do couro cabeludo.
Lembre-se de que a fotoproteção é muito importante. O uso de filtros solares, chapéu, óculos de sol e roupas adequadas também auxiliam. Faça com que o sol torne-se seu aliado, evite a exposição excessiva e em horários indevidos. Consulte seu dermatologista regularmente e esteja atento a novas lesões ou a modificações naquelas já existentes.
Artigo enviado pela Dra. Cíntia Rito – Coordenadora do Departamento de Dermatopatologia/Dermatoscopia.
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