Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional Rio de Janeiro - Dicas de Saúde

Sociedade de Dermatologia do Rio de Janeiro alerta para uma epidemia de Esporotricose

O Rio de Janeiro está vivendo uma verdadeira epidemia de esporotricose, micose que antigamente pouco se ouvia falar, e que se adquiria através de machucados com galhos de árvore, farpas de madeira ou espinhos de plantas. Hoje em dia é, na maioria das vezes, transmitida por animais doentes, principalmente os gatos. O número de pessoas e animais doentes aumentou consideravelmente na última década.
Os primeiros casos de transmissão felina foram observados em 1997, no Serviço de Dermatologia do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE-UERJ). O hospital registrou, entre 2000 e 2006, 94 casos da doença. Já o Instituto de Pesquisa Evandro Chagas (IPEC-Fiocruz) atendeu 759 casos entre 1998 e 2004. No mesmo período, o Departamento de Zoonoses da Fiocruz diagnosticou a doença em 1503 gatos e 64 cães domésticos.

A região da Baixada Fluminense concentra o maior número de casos, embora eles também existam em toda a região metropolitana do Rio de Janeiro, inclusive Zona Sul e Zona Oeste.
O sinal mais comum da doença é um caroço avermelhado, dolorido, que  vira uma ferida que não cicatriza e aumenta em número e tamanho, apesar do tratamento com antibióticos. Algumas pessoas também apresentam sintomas articulares como inchaço, vermelhidão e dor nas juntas. Quem está debilitado com alguma doença como diabetes, AIDS, câncer ou alcoolismo crônico, pode ter manifestações mais graves e até atingir outros órgãos, como pulmões ou cérebro. O tratamento dura de dois a seis meses, e numa pessoa que tenha defesa normal é benigna e curada totalmente.

No Hospital Universitário Pedro Ernesto há um estudo para o diagnóstico precoce e acompanhamento da doença através de um exame feito no soro (parte do sangue) dos pacientes. O teste de diagnóstico, desenvolvido no laboratório do Instituto de Biologia em associação com o Serviço de Dermatologia da UERJ, é gratuito, tem o financiamento do Ministério da Saúde (PPSUS) e FAPERJ e visa sua implantação em toda a rede do SUS num futuro próximo. É importante o diagnóstico correto e a identificação da fonte de infecção para reduzir a doença a índices toleráveis. O diagnóstico definitivo é feito através do pus das lesões nos laboratórios de micologia.


As pessoas mais expostas são as que têm contato domiciliar e profissional com esses animais, como veterinários e donas de casa. Nesses animais a doença aparece com o mesmo aspecto que nos seres humanos, ou seja, feridas ou caroços na pele. 

O fungo causador, o Sporothrix schenckii, já foi isolado da secreção nasal, cavidade oral e unhas dos gatos, o que reforça a transmissão felina, seja por arranhadura ou mordedura. Se o animal estiver doente, é preciso cuidado no seu manuseio para não adquirir a micose (o animal pode ser tratado com medicamentos específicos). O animal morto não deve ser enterrado, e sim cremado. Se você perceber os sinais descritos acima nos animais domésticos, como cães e gatos, ou em pessoas conhecidas, procure assistência veterinária ou médica para que se possam tomar medidas de tratamento ou prevenção que diminuam o número de casos dessa micose.  O dermatologista é o especialista indicado para diagnosticar corretamente as lesões que aparecem na pele.

Artigo enviado pela Dra Rosane Orofino (30 de julho de 2007)

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