Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional Rio de Janeiro - Dicas de Saúde

O lado bom do sol

A relação entre a dermatologia e o sol, de um modo geral, é bem clara e estabelecida para a maioria dos profissionais da área. Dermatologistas não são muito adeptos a exposição solar. Muitos cultivam um tom de pele natural, na maioria das vezes pálido, e evitam se expor ao sol quando possível. E se o fazem, só com muito protetor solar.

Nada mais normal para os profissionais que lidam diretamente com os diversos problemas relacionados à exposição solar aguda e crônica: queimaduras de vários graus (do vermelhão ardido até as bolhas), fotoalergias, lupus eritematoso, inúmeras manchas, herpes simples labial, acne solar, fotoenvelhecimento e muitos casos de  câncer de pele, novos e recidivados , cada vez mais freqüentes na nossa população.

Além disso, o sol atrapalha e por vezes impossibilita muitos tratamentos na área da dermatologia estética, como os peelings, lasers e dermoabrasões, pois uma pele em cicatrização, se exposta ao sol, certamente apresentará alguma complicação.
Não há dúvida de que a exposição ao sol de forma excessiva e intensa, principalmente nos horários mais perigosos, das 10 às 16h, e sem proteção adequada (filtro solar, chapéu, barraca, etc) é extremamente prejudicial para a pele e para os olhos.  Porém, nenhuma exposição ao sol, pode ser prejudicial para os ossos e para a saúde mental.

Alguns estudos associam baixos níveis de vitamina D (importante para a fixação de cálcio nos ossos) com depressão e outros problemas psiquiátricos. Pessoas que vivem em países frios com invernos longos são mais propensas a sofrerem de depressão e esquizofrenia, e também apresentam níveis baixos de vitamina D no sangue. Essa vitamina é absorvida principalmente com a exposição à radiação UV (ultravioleta) presente no sol. Pessoas de pele morena e os idosos têm mais dificuldade de absorção que os jovens de pele clara.

O fato é que no verão ficamos mais extrovertidos, expansivos, calorosos e animados. Saímos mais de casa, socializamos mais com os amigos e a família, e isso sem contar nas férias (de verão). E isto é fundamental para uma boa qualidade de vida, porque promove relaxamento e nos traz bom humor e felicidade. Mas como aproveitar tudo isso sem por em risco nossa pele no futuro? O importante é o equilíbrio e o bom senso. Procurar aproveitar o sol no início ou no fim do dia, quando a radiação UV é menos intensa e prejudicial. Procurar se bronzear aos poucos de forma lenta e gradual, sem pressa. Usar corretamente o filtro solar, reaplicando a cada 2 horas, e se preciso barraca, boné, camisa etc. Não vale queimadura, ardência, bolhas e pele descascada, porque desta forma nem o bom humor compensa.

Artigo enviado pelo Dra. Patrícia de Aguiar Magalhães da Silveira, Coordenadora do Departamento de Psicodermatologia.

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