Reações Medicamentosas
Muitas vezes os pacientes, ao relatar seu histórico aos médicos, se referem às diferentes reações medicamentosas como sendo “alergias aos remédios”. Este artigo tem como objetivo esclarecer alguns termos freqüentemente descritos nas bulas para que possamos interpretar e descrever melhor determinadas reações.
Iniciaremos com algumas definições:
- Efeito colateral – sinal ou sintoma criado por agente farmacológico e que não faça parte de seu objetivo. Algumas vezes pode haver inclusive um efeito positivo (ex: emagrecimento de um paciente obeso) ou efeitos negativos.
- Efeito adverso à droga: qualquer evento negativo sofrido por um paciente ao fazer uso de uma droga, independentemente do fato de a droga ter sido ou não o agente causal. Por exemplo, uma doença que tenha início coincidente com a administração de determinada droga.
- Reações alérgicas: Trata-se de um subtipo de reações adversas a drogas, sinais ou sintomas causados por uma resposta imune a um determinado agente farmacológico. Na pele, são comuns as reações do tipo urticária (placas vermelhas, que coçam muito e desaparecem de maneira relativamente rápida, ou seja são evanescentes) e a dermatite de contato alérgica ou eczema de contato (reação caracterizada por coceira, vermelhidão e bolhas no local da aplicação de determinadas substâncias). A urticária pode cursar com reações mais graves, como o angioedema (inchaço das pálpebras ou lábios) e anafilaxia (edema de laringe e dificuldade de respiração).
- Reação idiossincrásica: uma reação peculiar de determinado paciente a um agente farmacológico, que tenha sido administrado em doses apropriadas. Nesse caso não há evidências de reações imunológicas.
- Superdosagens: sinais ou sintomas provocados por doses excessivas de determinados medicamentos.
Uma questão interessante a ser abordada é a das reações cruzadas. Algumas classes de medicamentos podem provocar reações a outras, um exemplo clássico é alergia entre alguns diuréticos e hipoglicemiantes orais.
Outro fato de relevância é que muitas pessoas usam medicamentos ditos alternativos e os interpretam como inócuos, o que não é verdade. O uso sistêmico (ingestão), assim como tópico (local) de ervas, chás ou outras substâncias “naturais” podem causar alergias e uma série de outras reações.
A possibilidade de reações indesejáveis, por vezes graves, aos medicamentos deve ser entendida pela população não de forma alarmista e radical, já que muitas vezes estas substâncias salvam vidas, mas de forma racional e cautelosa, devendo respeitar as indicações, dosagem correta e prescrição médica.
Referência Bibliográfica:
Daniel H. Parish, MD, JD; Lawrence Charles Parish, MD; Joseph A. Witkowski, MD. Drug Allergy: When, Where, Why, and Who?
Artigo enviado pelo Dra Paula Dadalti
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