Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional Rio de Janeiro - Dicas de Saúde

Ressecamento Cutâneo

Com a chegada do inverno, as condições climáticas com baixas temperaturas e ventos agridem a camada externa cutânea, chamada de camada córnea. Nela estão contidas em torno de 10 a 30% da água que ingerimos.

A lubrificação natural da pele é estimulada pelas glândulas sebáceas em conjunto com o suor, um cosmético natural que nos hidrata ao reter água na camada mais externa da pele. Assim, sempre que tivermos alteração da lubrificação natural e ingerirmos pouca água, a pele ficará desidratada.

Essa desidratação é observada pelo ressecamento, com descamação fina e, muitas vezes, aspecto semelhante a uma folha de papel. Então aparecem as falsas rugas, que seriam rugas bem mais finas, sem alterações mais profundas, mas apenas com aspecto externo de pele quebradiça, opaca, sem viço e desagradável ao toque.

Some-se a isso o fato de o número de glândulas sebáceas sofrer alterações quantitativas nas diferentes partes do corpo, sendo em maior número no centro da face, região peitoral e no centro das costas, e em menor quantidade nas extremidades, regiões que muito sofrem no inverno. Já na região facial teremos uma maior agressão nas pálpebras e lábios, mais pobres em glândulas sebáceas que o restante da face.

Passo a Passo nos Cuidados da Pele no Inverno

HIGIENIZAÇÃO
Nesse período de inverno, cuidados especiais devem ser tomados com relação à limpeza da pele. Aconselhamos utilizar sabonetes mais suaves e neutros de acordo com cada tipo de pele, preferencialmente líquidos, pois são menos agressivos que os em barra. Nas áreas mais ressecadas, principalmente na face, devemos utilizar uma loção de limpeza que, além de limpar, têm a função de hidratá-la. De acordo com sua formulação, essas loções devem ser retiradas com auxílio de um algodão ou com água corrente fria ou morna, pois a água quente agrava o ressecamento da pele. Aconselhamos banhos mais rápidos que no verão e com água sempre fria ou morna.

Em situações de pele extremamente ressecada, recomendamos a aplicação, ao final do banho, de um óleo emoliente com a pele ainda úmida. A seguir, faz-se a retirada de seu excesso com uma ducha morna e bem rápida. Esses óleos, preferencialmente os vegetais e que contenham vitamina E, formam uma camada oclusiva sobre a superfície da pele, retendo a água.

TONIFICAÇÃO
Ocorre como segundo passo após a limpeza, sendo importante complemento na remoção dos resíduos de maquiagens cremosas que não tenham sido retiradas pelos agentes de limpeza. Os tônicos para as pele mais secas devem apresentar formulação isenta de álcool e conter ativos hidratantes.

HIDRATAÇÃO
A seguir, teremos o terceiro passo com o uso de produtos cosméticos ou formulações de acordo com a hora do dia, como cremes leves pela manhã e emolientes mais pesados à noite. Nas peles muito ressecadas, esses emolientes devem ser usados com maior freqüência. Dentre vários ativos hidratantes (PCA-NA, uréia, ácido hialurônico, alantoína, etc.), destacamos os alfa-hidroxiácidos, em especial o lactato de amônia desodorizado. Estes não têm os inconvenientes do odor desagradável da amônia, como são excelentes para aplicação em áreas mais extensas do corpo.

O tratamento da pele seca também requer o uso de cremes anti-envelhecimento que contenham antioxidantes como a vitamina C e E, e, mais recentemente, os de última geração, como o ácido alfa-lipóico e a idebenona, bem mais potentes na sua capacidade de retenção e neutralização dos radicais livres formados na pele.

Não devemos esquecer do uso dos renovadores celulares, de acordo com cada tipo de pele, sendo que nas mais ressecadas cuidados especiais devem ser tomados, principalmente no abuso do uso dos ácidos, como retinóico e outros, devido à possibilidade de uma maior sensibilização nesse tipo cutâneo.

Uma nova classe terapêutica, chamada de poli-hidroxi-ácidos, surgiu mais recentemente, com a propriedade de promover uma maior hidratação da pele, sem tantos inconvenientes como a descamação ocorrida com o uso de alguns ácidos. Ao utilizá-los, em especial no período noturno, devemos aguardar pelo menos 20 a 30 minutos após a higienização, para que não venham causar ardência ou vermelhidão excessiva após sua aplicação. Isso se deve ao fato da superfície úmida da pele realizar uma absorção maciça desses ativos, levando a processos irritativos e eczematosos. Os ácidos, se usados adequadamente e sob prescrição médica, proporcionarão uma melhora da qualidade da pele, auxiliando na redução de linhas de expressão, afinando a pele e prevenindo o envelhecimento precoce.

Cuidados Complementares no Inverno

ESFOLIAÇÃO
A esfoliação visa a auxiliar na absorção dos ativos hidratantes aplicados a seguir. Em algumas peles mais sensíveis e desidratadas, devemos evitar esfoliações com agentes abrasivos grosseiros ou reduzir a freqüência de sua utilização para no máximo uma vez por semana, impedindo assim o aumento do ressecamento e reações de sensibilização.

MÁSCARA FACIAL
Uma máscara facial que contenha princípios ativos hidratantes e oclusivos em sua formulação é recomendada para indivíduos de pele seca, devido à capacidade de impedir temporariamente a perda de água através da pele. Logo a seguir à sua retirada, devemos aplicar um hidratante oclusivo para perpetuar os efeitos da máscara.

Artigo enviado pelo Dr. Marcelo Molinaro (14 de Agosto de 2007)

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