Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional Rio de Janeiro - Dicas de Saúde

Tinturas de cabelo e gravidez

Muitos pacientes questionam se tratamentos no cabelo durante a gravidez, como coloração e descoloração, permanentes e relaxantes, aumentam o risco de alterações da saúde do bebê. Atualmente há pouco material disponível na literatura científica, por isso, muitos médicos vêem com cautela o uso desses produtos - principalmente no início da gestação.

Os procedimentos de coloração já estudados sofrem variações pelo tempo em que a cor permanece no cabelo. As tinturas permanentes recebem maior atenção e incluem uma variedade dos produtos químicos. Descolorir o cabelo exige o uso do peróxido de hidrogênio. E permanentes e relaxantes envolvem uma variedade dos produtos químicos. Por isso, o tempo de exposição à tinta, o sincronismo e a freqüência do uso durante a gravidez são fatores importantes a serem levados em conta.

Há poucos estudos sobre os efeitos do uso de tintura durante a gravidez humana. Nos estudos em animais, em doses 100 vezes mais altas do que o que seriam usadas normalmente na aplicação humana, nenhuma mudança significativa foi vista no desenvolvimento fetal. Sabemos que somente uma pequena quantidade de todo o produto aplicado no couro cabeludo é absorvida. Sendo assim muitas questões ainda não estão definidas: os níveis baixos da tintura do cabelo podem ser absorvidos através da pele após a aplicação, e a tintura é excretada na urina? Há uma quantidade mínima para não causar um problema para o bebê?

Assim como com as tinturas, há informações limitadas disponíveis sobre a segurança da realização de permanente no cabelo na gestação. A solução de fixação usada durante a aplicação do tratamento pode irritar o couro cabeludo, mas ocorre pouca absorção e parece não causar efeitos em outras partes do corpo. Um estudo em seres humanos examinou o tratamento de alisamento do cabelo durante a gravidez. Não foi verificado com o uso destes produtos alteração do peso do bebê ou nascimento pré termo. O estudo não contemplou a possibilidade de outros resultados anormais (tais como defeitos de nascimento). Já que a absorção é mínima, o bebê deverá ser exposto a pequenas quantidades do produto químico.

Devido aos poucos estudos realizados sobre efeitos adversos dos procedimentos de tratamento e embelezamento dos cabelos durante a gravidez, e pelo risco, ainda não esclarecido, de alterações no bebê devido à pequena absorção destes produtos químicos, não é recomendado que se realize tais procedimentos, principalmente na fase inicial da gravidez, primeiro trimestre, fase de diferenciação e definição celular.

Referências

. Women's health in primary care 570 Vol. 2, No. 7/JULY 1999

. Blackmore-Prince, Cheryl, Sioban D. Harlow, Paul Gargiullo, Michelle A. Lee, and David A. Savitz. (1999). Chemical Hair Treatments and Adverse Pregnancy Outcome among Black Women in Central North Carolina. American Journal of Epidemiology, 149:712-716.

. Mock DM, Quirk GJ, Mock NI. Marginal biotin deficiency during normal pregnancy. Am J Clin Nutr 2002;75:295-299.

. Zempleni J, Mock DM. Marginal biotin deficiency is teratogenic. Proc Soc Exp Biol Med 2000;223:14-21.

Artigo enviado pela Dra. Robertha Nakamura(6 de Maio de 2007)

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