Bronzeado e proteção solar
O culto ao bronzeado parece ter surgido na Grécia antiga, onde o sol era reverenciado e tido como fonte de vida. Os gregos se bronzeavam por razões estéticas e como garantia de saúde. Mesmo assim, já utilizavam o azeite de oliva como uma forma de proteção contra os raios solares.
Porém, foi a partir do século XX, em torno dos anos 30, que o bronzeado passou a representar um conceito de saúde, tornando a exposição freqüente ao sol uma prática amplamente disseminada.
A partir de então, começou-se a pensar na idéia de não só manter a pele bronzeada, mas em formas de acelerar tais processos. Surgiram então os primeiros bronzeadores a base de óleos vegetais, alguns com misturas caseiras que agrediam a pele, causando, muitas vezes queimaduras de segundo grau.
Mais recentemente, surgiram matérias-primas que promovem o bronzeamento sem a necessidade de exposição solar: os autobronzeadores. São feitos, em sua grande maioria, de uma substância chamada dihidroxiacetona (DHA), que reage com as proteínas da pele formando compostos escuros que simulam o bronzeado de maneira uniforme. O uso desses autobronzeadores, porém, não é uma garantia de proteção contra os raios solares.
Foi somente nos anos 90, com o aumento dos casos de câncer de pele e o início de campanhas preventivas de esclarecimento ao público, que houve um aumento do uso de filtros solares pela população em geral. Os primeiros a surgir foram os filtros físicos, como, por exemplo, a famosa pasta d’água, que impede que a radiação solar atinja camadas mais inferiores da pele. Em sua grande maioria, esses filtros são feitos de matérias-primas como dióxido de titânio e óxido de zinco.
O surgimento dos filtros químicos representou uma grande inovação, agindo principalmente por absorção de energia e conferindo, em conjunção aos filtros físicos, um maior percentual de fator de proteção solar (FPS). No início, a grande maioria dos filtros químicos só protegia contra os raios ultravioleta B. Sabe-se bem hoje da importância do uso de filtros anti-ultravioleta A e B para uma proteção mais ampla da pele. Dessa forma, evitamos os efeitos danosos produzidos pela exposição irresponsável ao sol, como o surgimento de cânceres de pele e o fotoenvelhecimento.
Esse último consiste em um envelhecimento precoce que surge nas áreas da pele expostas à radiação solar repetidamente no decorrer da vida, em especial na face, pescoço, orelhas, braços e dorso das mãos. Seus efeitos são notados a longo prazo através de uma pele envelhecida. Geralmente aparecem a partir dos 40 anos, mas podem surgir antes dessa idade.
Normalmente, evidenciamos os primeiros sinais através do surgimento de uma pele mais fina, flácida, pálida, amarelada e com diminuição da elasticidade. A seguir, notamos o surgimento de algumas manchas de cor castanho claro, difusas e irregulares, além da diminuição do grau de umidade e da oleosidade, dando assim, um aspecto de pele ressecada. Ocorre ainda redução da gordura que dá sustentação à pele da face e corpo. A partir daí, temos a formação das primeiras rugas, algumas superficiais e outras mais profundas.
Proteger a pele da agressão solar contínua é um grande desafio. Devemos evitar a exposição entre 10 e 14 horas e utilizar um filtro solar a prova de água, com fator de proteção contra raios ultravioleta A e B de numeração igual ou superior a 30, com aplicação 20 minutos antes da exposição solar. O filtro deve ser reaplicado a cada 02 horas, principalmente nas áreas de maior exposição. É bom lembrar que mesmo na sombra é necessário o uso de protetor solar, pois superfícies como areia, concreto, água e principalmente a neve, refletem raios solares.
Mas, a maior medida preventiva deve ser o início do uso de filtro solar, chapéu, óculos e barraca de praia desde a infância. Com essas medidas, estaremos prevenindo o envelhecimento da pele precocemente.
Artigo enviado pelo Dr. Marcelo Molinaro
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