Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional Rio de Janeiro - Dicas de Saúde

Profissões que aumentam risco de câncer de pele

As profissões exercidas ao ar livre, onde os trabalhadores ficam expostos ao sol diariamente e por períodos prolongados, são as que apresentam maior risco para o desenvolvimento do câncer de pele. Como não é possível evitar a luz solar no horário mais intenso, das 10h às 15h, é importante o uso de boné que proteja as orelhas e o pescoço, uniforme adequado e protetor solar. Assim como é obrigatório o uso de capacete de proteção em determinadas atividades, o filtro solar deveria ser obrigatório para aqueles que trabalham expostos ao sol.

Numa cidade como o Rio de Janeiro, chama a atenção o grande número de profissionais que atuam na orla das praias, como os vendedores ambulantes, garis, salva-vidas, policiais, pescadores e até mesmo os atletas profissionais. Além desses, marinheiros, mergulhadores, trabalhadores rurais, militares, operários da construção civil, professores de educação física e carteiros estão entre os mais vulneráveis à doença.

A melanina, pigmento natural da pele que funciona como um bloqueador natural à radiação solar, varia de acordo com a cor da pele. Os trabalhadores de pele, olhos e cabelos claros, que queimam com facilidade e não ficam bronzeados, devem ter maior cuidado pois têm menos melanina. Já os morenos ou negros estão mais protegidos, porém não estão livres do risco. Eles devem estar atentos ao melanoma, um tipo de câncer de pele que pode ser fatal.

As alterações da pele que indicam a possibilidade de um câncer costumam aparecer como manchas ou elevações, conhecidas popularmente como sinais ou verrugas. Elas surgem geralmente após os 40 anos, principalmente no rosto, tronco, braços e pernas. As lesões suspeitas têm um crescimento progressivo, com alterações de cor ou vasos dilatados no local. O crescimento súbito de sinais já existentes também é uma alteração suspeita. Outras modificações são a formação de crostas na superfície e a ulceração. A sensação de coceira, a dor ou sangramento também são sinais de alerta.

Quando perceber essas alterações o trabalhador deve procurar um médico, de preferência um dermatologista, que é quem faz o diagnóstico e o tratamento do câncer de pele. Assim como os instrumentos de proteção, o exame deveria ser obrigatório nos profissionais acima dos 40 anos, para prevenir o aparecimento ou crescimento de tumores causados pelo sol, facilitando o tratamento e diminuindo o tempo de afastamento do trabalho.

A prevenção é a melhor forma de lutar contra o câncer de pele, o de maior incidência no Brasil e que, a cada ano, continua crescendo nas estatísticas. Isso acarreta prejuízo ao sistema de saúde e transtornos a uma geração que, no futuro, irá colher os frutos da exposição solar prolongada e intensa. Por isso, a disseminação da informação é fundamental para reverter esse cenário preocupante, onde trabalhadores são obrigados a se arriscar para sobreviver.

Artigo enviado pelo Dr. Ricardo Barbosa Lima (4 de Maio de 2007)

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